Aprendi muita coisa no meu intercâmbio na Irlanda

Aprendi muita coisa no meu intercâmbio na Irlanda

Colaborador E-Dublin

5 meses atrás

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Eu já voltei pra casa há 5 meses. Estou trabalhando, com a vida de volta ‘ao normal’ e quando recebi o e-mail de vocês relembrei tanta coisa. Coisas boas, que fique bem claro. Foi um tempo de novidades, aprendizado, auto-conhecimento, assim como tiveram dificuldades, a saudade apertou…mas no fim das contas, acredito ter cumprido meus objetivos.

Aliás, foi exatamente essa sensação que tomou conta de mim um dia antes de embarcar de volta pra casa. Sensação de dever cumprido. Mission Accomplished!

Voltei do intercâmbio com a missão cumprida.© Mariia Boiko | Dreamstime.com

Voltei do intercâmbio com a missão cumprida.© Mariia Boiko | Dreamstime

1. Aprendi o inglês

No início foi um pouco difícil. Eu quase não entendia o que nossos amigos Irishs diziam e me dava um branco danado na hora de falar. Morar com a galera brazuca não ajudou tanto assim, mas depois de dois meses já tinha soltado a língua, estava mais confiante e não tinha mais vergonha de falar. Mas até aí eu estava mais colocando em prática o que eu já havia aprendido no Brasil. Ou seja, eu tinha me soltado mais, não melhorado o nível do inglês.

Com três meses de Irlanda eu virei aupair. Isso foi o céu para melhorar meu conhecimento na língua. Além de agora estar realmente falando inglês a maior parte do meu tempo, a “mãe”e até mesmo as kids me corrigiam sempre. E o nível de inglês da mãe era muito acima da média. Ela tinha uma voz calma, um inglês bem articulado. Ela vivia me ensinando novas palavras, me explicando gramática. E eu aproveitei essa super disponibilidade dela: se estávamos na cozinha, por exemplo, eu saia perguntando o nome de tudo!

E as kids, queridas, faziam um esforço tremendo pra explicar o que eu não sabia. Davam exemplos, faziam gestos. Bem legal. Ser aupair tem suas agruras, mas para este ponto dos meus objetivos foi fundamental. Sem falar nas horas que eu passava conversando com a mãe. No início, eu mais ouvia. Uns meses depois eu já estava tagarelando também. E vocês não têm ideia de como fiquei feliz quando eu me percebi falando inglês!

Assim, quase com a mesma facilidade com que falo português (ênfase no quase, já que me falta ainda muito vocabulário). Foi de uma auto satisfação imensa! E graças a ela eu comecei a ler em inglês também. Não só artigos na internet, ou textos de jornais e revistas. A ler livros mesmo. Eu achava que ainda não teria um nível de entendimento suficiente. Ela insistiu e me peguei na biblioteca dela, lendo trechos de clássicos. Até que li um inteirinho! The Picture of Dorian Gray, Oscar Wilde. Sim, o primeiro livro lido tinha que ser de um irish.

Hoje, ainda mantenho contato com a família por Skype. O que é excelente. Na última vez que conversamos ela me disse que meu nível de inglês continuava o mesmo e que ela até arriscava a dizer que tinha melhorado um pouco. Principalmente na dicção e vocabulário. Como eu disse antes, mission accomplished. Mas ainda falta muito ainda pra que eu possa dizer ser fluente no idioma, a parte escrita tem que ser bastante trabalhada, por exemplo.

2. A oportunidade de viajar foi incrível

Viajar é um grande passo durante o intercâmbio. © Rui Baião | Dreamstime.com

Viajar é um grande passo durante o intercâmbio. © Rui Baião | Dreamstime

Quando eu sai de casa para Irlanda, eu pensei que ia ganhar muito bem, fazer altas viagens. Acabei sendo aupair, o que na realidade foi bem bom, mas meu salário era bem pequeno. Mesmo para os padrões da ‘categoria’ era um salário baixo, então eu tive que trabalhar com aquilo que eu tinha. Coloquei prioridades: quais lugares eu não poderia deixar de ir? Londres, Paris, Roma e Grécia eram as minhas prioridades.

Queria, também conhecer mais da Irlanda. Mas dentro do meu orçamento eu consegui ir a Londres, Paris, Roma e Veneza. A Grécia eu deixei para uma próxima. Dentro daquilo que eu podia, eu cumpri sim esse objetivo. Deixei de fazer os passeios comuns dentro da Irlanda, mas mesmo assim considero proveitosa minha experiência. Essas quatro cidades que conheci são maravilhosas, tudo aquilo que eu imaginava e ter podido visitá-las foi a realização de um sonho. E o resto, que não deu pra fazer dessa vez é só trabalhar mais e ir ;)

3. Conhecer pessoas  de todo o mundo

Conheci pessoas do mundo inteiro em Dublin. © Vinh Dao | Dreamstime.com

Conheci pessoas do mundo inteiro em Dublin. © Vinh Dao | Dreamstime

Fiz amigos de vários cantos do Brasil. Sim, por que ir pra Irlanda e não ter amigos brasileiros é impossível, não é mesmo? Com isso fica um pouco difícil é se misturar aos locais. Eu fui conhecer gente de outros lugares é sendo, adivinhem o quê? Aupair. É essa foi uma experiência muito rica. Gente, sem sair de casa eu conheci: irishs, claro, pessoas da Nigéria, Zimbábue, Camarões e Alemanha.

Eu, que morria de medo de ter que voltar antes do tempo previsto por falta de trabalho/grana, até que consegui ter uma experiência bem proveitosa. Já começo a sentir falta do meu tempo de Irlanda.

Se tem coisas que eu faria diferente? Sempre tem, né? Sempre é possível escolher um caminho a outro, mas como eu gosto tanto do que me tornei devido justamente as más escolhas, eu acho que faria tudo igual. Exceto guardar o dinheiro do aluguel dentro do bolso da jaqueta, ainda mais se estiver usando luvas. Mas isso é outra história!

O que eu recomendo pra galera que está embarcando no intercâmbio é informação. Pesquisem, leiam, perguntem tudo. Fucem mesmo. A pior coisa era ver gente chegando lá e quebrando a cara com coisas que um pouco mais de pesquisa evitaria. Outra recomendação muito importante é: de todas as coisas que vocês vão colocar na bagagem a mais importante é a mente aberta. Se não tiverem, nem embarquem, pois não será a mesma coisa, não terão a mesma diversão e aproveitamento dessa experiência. E mais uma coisinha: o Brasil pode não ser o melhor lugar do mundo e vocês encontrarão um realidade por vezes bem melhor que a nossa em vários aspectos, mas sair falando mal do Brasil mundo afora é muito feio!

Era isso!  Abraços

Mariana Aguirre

Imagens via Dreamstime
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